Em Nome da Mãe é um pequeno e belíssimo livro, particularmente apropriado para acompanhar estes escassos dias que antecedem o Natal. Esgotada há anos a edição da Quetzal de 2007, regressou agora, publicado pelo Apostolado da Oração. Estes são os dias de Maria e José. Erri de Luca narra-os pela voz de Maria, Míriam em hebraico. O escritor apresenta a Mãe de Jesus de um modo admirável. É sempre ela que, com extrema delicadeza, conta a História, relatando o que sentiu, pensou e fez entre a Anunciação e a Natividade. É também frequentemente através de Míriam/Maria que vamos sabendo de José e de como também ele vive estes momentos que iriam mudar a humanidade.

Este livro assaz singular deu origem a diversos monólogos teatrais. Há poucos dias, em Roma, no Teatro OFF/OFF, a actriz italiana Margherita Remotti, dirigida por Pierpaolo Sepe e Riccardo Festa, esteve em palco para, como ela escreve no Instagram, interpretar “uma mulher que diz ‘sim’ e muda o destino da humanidade”, contando “a história de Míriam/Maria que, entre o medo e o espanto, escolhe o amor”. Outra actriz italiana, Galatea Ranzi, esteve em Lisboa, no Teatro do Bairro, no passado mês de Junho, a dar igualmente voz à protagonista de Em Nome da Mãe, com encenação de Gianluca Barbadori e produção do Teatro Biondo di Palermo.

No Salão Paroquial de Montes de Alvor, em 2015, por ocasião das Festas de Nossa Senhora da Conceição, foi feita uma representação, em forma de jogral, por um grupo de membros da nossa paróquia, com adaptação do texto de Manuel da Luz. No passado dia 7, no âmbito das mesmas festas, foi realizada, na Igreja de Montes de Alvor, nova representação do mesmo texto adaptado para o efeito. Foram atores membros das comunidades de Alvor/Matriz e Montes de Alvor: Ângela Carneiro, António Bailote, António Claudino, Bruna Claudino, Estela Santos, Gertrudes, José Custódio, Luísa Celestino, Luísa Claudino, Lurdes Santos, Manuel Custódio, Manuel da Luz, Manuela Granadeiro, Maria José Luz, Ofélia Santos, Tiago Santos. O grupo coral, que interveio ao longo da representação: Ilda Tiago, Manuela Sacramento, Patrícia Oliveira, Sílvia Tiago.

Em Nome da Mãe é escrito, como Erri de Luca revela no prefácio, a partir do que os Evangelhos de Mateus e Lucas dizem sobre Maria, ampliando “um pormenor por eles mencionado: a ascendência da natividade no corpo feminino, o mais perfeito mistério natural”. Conta “a história de uma mulher que por amor desafia o mundo com o seu corpo”; uma história “vivida pela mulher mais célebre de todas as mulheres (‘a mais abençoada de todas as mulheres’)”. Da “força sobre-humana que Míriam incorpora, nasce o mistério da Graça, o escândalo do Amor de que este nosso mundo agora precisa mais do que nunca: um sim dito contra tudo e todos, contra as leis, contra a moralidade, contra todo o preconceito, contra todas as barreiras físicas e fronteiras geográficas”.

A graça, diz José a Maria, “não é um andar sedutor, não é o porte elegante de algumas das nossas mulheres bem-postas. É a força sobre-humana para enfrentar o mundo sozinha”. Afirma ainda José que a graça é um dom e que Maria o possui. “Quem o recebeu está livre de todo o medo”.