Apareceu João Batista a pregar no deserto da Judeia, dizendo:
«Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus».

Mt 3, 1

padre Abílio Fernando Alves Cardoso

O PÁROCO

igreja matriz

Capela de Montes de Alvor Paroquia de Alvor

Capela de montes de alvor

Anunciação (1603), Alessandro Allori, Galeria da Academia de Belas Artes de Florença Paróquia de Alvor

Natal, o anjo e Maria

É das cenas do evangelho mais meditadas na história da espiritualidade e mais representadas pelas artes. É chamada “Anunciação do anjo a Maria”. A sua essência literária e espiritual inspirou centenas de pinturas, especialmente no Renascimento italiano. Na literatura são incontáveis as narrativas que transferiram para a escrita a sua mística. Destaca-se a que o dramaturgo e poeta genial Paul Claudel (regressado à fé católica no dia de Natal de 1886) rescreveu em L’annonce fait à Marie (A anunciação a Maria, na tradução de Sophia de Mello-Breyner Andresen), peça estilizada em linhas dramáticas de uma beleza virginal, sulcada de intenso simbolismo com pendor de iniciação para a vida. Admirando nós a obra artística e poética infinita sobre o relato bíblico, também importa ousar a compreensão da sua intenção originária. Que queria dizer o relato bíblico?

A cena compõe o primeiro quadro mariano do evangelho de Lucas (1,26-38), narração viva carregada de força espiritual, em que Maria aparece à escuta da palavra de Deus. Na realidade, descrevendo a conversação do anjo com a virgem, põe-na em diálogo com a palavra de Deus, representada simbolicamente no mensageiro divino. De facto, a aparição angélica é uma imagem do próprio Deus em estado de comunicação aos humanos; é um símbolo que torna imediatamente presente a Maria a palavra de Deus. O anjo da palavra é realmente um ícone da palavra de Deus.

O diálogo emocionante e avassalador entre os dois protagonistas, o anjo e Maria, quer então ser expressão plástica da palavra de Deus a dirigir-se e a revelar-se a ela, embebida em elevada oração meditativa. O quadro é uma trepidante imagem da virgem Maria, máxima expressão do acolhimento, da atenção permanente, do coração que sabe escutar. Nele, Maria é modelo de escuta e de discernimento cristão, a descobrir a vontade de Deus para si, já «desposada com um homem chamado José». Há pessoas que vão ter com os acontecimentos, mas Maria, confrontada com a palavra de Deus, deixou-se surpreender pelo acontecimento que veio ter com ela: deixou-se surpreender pelo Deus que é sempre Mistério e Palavra.

O enviado/palavra de Deus saúda-a. A sua fé orante “interrogava-se”, a partir da vida, “que significaria aquela saudação”: qual seria o significado daquela palavra divina para o caminho novo a fazer como mãe anunciada? Com efervescência simbólica, a figura do anjo irrompe com uma mensagem super-humana a Maria: visa fazê-la compreender e assumir que o filho que ela «conceberia no seu seio e daria à luz» era e «seria chamado filho de Deus». Maria compreendeu que estava face ao Mistério quando meditava em diálogo com a palavra de Deus («como será isso?»), que a remeteu para a acção do Espírito Santo e para o Alto: «o Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo cobrir-te-á com a sua sombra»; nas coisas do Espírito, «para Deus nada é impossível». Assim, Maria a responder ao anjo que escutara é, na realidade, Maria a rezar com a palavra de Deus. E esta não é uma interpretação alegórica. Resulta do teor literário e comparativo do próprio anúncio a Maria, que fazia culminar em si os numerosos anúncios de nascimento prodigioso do Antigo Testamento, desde o de Isaac, Sansão e Samuel até ao do Emanuel no profeta Isaías. É a mesma mensagem, do princípio ao ponto culminante da revelação bíblica, que alimentava a oração de Maria e a sua ponderação do sentido das coisas para ela, valendo-se do alimento e da luz das Escrituras, como faziam os judeus piedosos (2Tim 3,14-17 e 1,5; Act 16,1).

Em termos de linguagem, temos aqui, portanto, um relato bíblico de aparição, fascinante meditação espiritual de estilo narrativo, que iluminava o presente cristão (cerca de 80 anos depois dos factos a que se refere!) com passagens das Escrituras judaicas inspiradas. Era um género literário corrente entre os rabinos do tempo de Jesus e nos autores do Novo Testamento: o sentido a dar à vida presente encontravam-no em textos das Escrituras, pondo-se à escuta da palavra de Deus nelas. Foi o que fez Maria, à procura de sentido transcendente para o que lhe estava a acontecer: «Maria guardava todas estas palavras/acontecimentos, meditando-as no seu coração» (Lc 2,19.51), revolvendo-as e colocando-as em relação entre si e todas elas com o mistério de Deus para si.

Portanto, a narração é figurativa, cheia de imagens, a não alterar com um entendimento à letra, como se o narrado tivesse sucedido tal e qual. A Igreja apostólica usou essa linguagem imagética para suscitar nas comunidades cristãs a fé no mistério que era Jesus: que ele era homem mas também Filho de Deus. Maria à escuta do anjo é Maria a contemplar o seu filho como Filho de Deus. Cruzando dados históricos, geográficos e pessoais, do presente com as sagradas Escrituras, o relato queria mostrar o sentido salvífico dos já antigos acontecimentos relativos ao nascimento de Jesus de Maria, sua mãe. Não se trata de pensar que devemos traduzir a concepção virginal e a divindade de Jesus nos símbolos da narração. É ao contrário. Trata-se de pensar que os símbolos significam a real divindade de Jesus, que só neles se podia exprimir. Não corremos o risco de ler tudo como representação. Lucas teve necessidade de comunicar por meio de representações: como se poderia dizer que Jesus é o Filho de Deus sem ser pela virgindade de Maria? Nem abolimos o ‘escândalo’ da Incarnação. Jesus não é, nem Super-homem nem Extraterrestre. É Deus no homem, é homem-Deus na terra. E Maria, de protagonismo incontornável no Natal, é quem ajuda a desatar estes dois nós. Ela é a mulher real que realmente concebeu no seu ventre o homem real Jesus, que a fé cristã desde sempre contemplou como Filho de Deus.

O que se queria dizer com essa forma de narrar é que Jesus, além da sua inserção humana como elo central na corrente da história do seu povo (significada pela genealogia do evangelho de Lc 3), teve realmente origem em Deus (significada pela narrativa da anunciação a Maria). A voz angélica a anunciar a concepção e o nascimento de Jesus quer dar visibilidade a Deus. Não põe à escuta de história factual. Apela à fé no Mistério. Capta a transcendência divina a vir à imanência humana. Maria não tem aqui função instrumental: é essencial, necessária, para Deus e os humanos terem Jesus. Por ela, o Deus do seu povo tornou-se um Deus que se pode abraçar e beijar, um Deus vivo que se pôde tocar e que pode tocar-nos. Viva o presépio!

Esperança e Natal

O tempo de Advento e de Natal convida a pensar que o suporte definitivo da esperança cristã é Jesus, «nascido de mulher» (Gl 4,4) e aparecido como «filho do homem» e Filho de Deus. Nele a salvação enquanto sentido último da vida, desejada e prometida em esperança no Antigo Testamento, irrompeu como o grande «hoje» de Deus (Lc 4,21). O que até Jesus era futuro, na pessoa dele tornou-se presente definitivo: indulgência/perdão absoluto do pecado, filiação divina de cada pessoa, habitação do Espírito santo no coração de carne do baptizado, etc. Quem nada espera desespera. A esperança tira a pessoa do buraco do desânimo e da monotonia. O desespero é incompatível com a esperança em Jesus, que no seu Natal lhe deu mais conteúdo: a abertura a ele contribui para ‘sermos’ mais, nós que (nos) conhecemos pouco e mal sabemos o que ainda poderemos chegar a conhecer e a ser (1Jo 3,2).

Armindo Vaz é biblista e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.

Sabia Que ...

Sabias Que Federico Barrocci Paróquia de Alvor

Sabia que os primeiros documentos que nos falam da data do Natal a 25 de Dezembro são do ano 336,em que se regista a celebração natalícia em Roma, pois não foi fácil fixar a data, já que os evangelhos nada dizem a esse respeito?

Sabia que a celebração está muito ligada ao solstício de inverno, pois Jesus era o Sol Nascente, a Luz sem ocaso, a Luz que veio iluminar as trevas, e nesse dia do solstício o sol começa a ascender ao céu e a ter o seu fulgor?

Sabia que a partir de Roma, centro da cristandade, esta data de 25 de Dezembro começou a espalhar-se pelo mundo cristão e foi assumida por toda a cristandade, exceto pelas Igrejas ortodoxas, que celebram a Solenidade do Natal a 6 de Janeiro?

Sabia que na Finlândia, um modo de viver o espírito fraterno do Natal, o sentido comunitário, apesar do frio intenso que se sente, é deixar as portas das casas abertas na noite de Natal, para que os que quiserem entrar e sentar-se à mesa possam fazê-lo?

Sabia que na Coreia do Norte e na China são proibidas as imagens do Menino Jesus e os presépios, e o governo só deixa que se festeja o Natal com a figura do Pai Natal e com a árvore iluminada, devido à grande perseguição aos costumes cristãos?

Sabia que, mesmo antes de se celebrar a Missa do Galo, havia em muitos países da Europa o costume da Ceia natalícia se ler a passagem do Evangelho do nascimento de Jesus e de se acenderem umas velas em sua honra, pois Ele é a Luz do mundo?

Sabia que, um pouco por todo o lado, o Natal está a perder o seu sentido cristão, com base no Evangelho e na boa tradição, para se tornar numa festa quase pagã, com sentido económico e festivo e sem dimensão religiosa?

Natal sem Jesus não é Natal. Natal sem amor não é Natal. Natal mergulhado nas trevas da mentira, na manipulação do outro, no ódio e na injustiça não é Natal.

 

Mensagem do Pároco para o ano pastoral 2025-26

 

Embora o novo ano pastoral avance veloz, não queria deixar de vos dirigir uma palavra pessoal, enquanto pároco da Paróquia de Alvor. Somos uma Comunidade carregada de memória que quer continuar a ser lugar diferenciado de encontro entre a fé e a vida, de testemunho profético laical. A densidade e a complexidade do tempo presente desafiam a nossa esperança e a nossa criatividade. A eucaristia dominical é, semanalmente, o grande acontecimento que nos congrega como comunidade. Não desistimos de procurar uma liturgia bela e simples, em que cada pessoa se sinta acolhida. Temos diante de nós o desafio de uma renovação geracional, pois sentimos também o peso das nossas idades e fragilidades, dos nossos hábitos adquiridos. O passado por si só não é garantia de futuro. Este precisa de ser preparado no presente.

Com a ajuda das novas tecnologias, o nosso “site” e redes sociais, alargámos o espaço da nossa tenda. No presente ano pastoral, em tempos sombrios, como os nossos, a convocação à alegria é profecia de futuro, renúncia a nos deixarmos vencer pela tristeza. E, sobretudo, fidelidade ao apelo originário da experiência cristã: «Sede Alegres na Esperança» (Rm 12,12).

Iniciámos, no ano passado, uma dinâmica de partilha e leitura do Documento Final do Sínodo dos Bispos. Assim, quisemos tornar possível uma pastoral mais participada e mais ligada com as preocupações da Igreja Diocesana e da Igreja Universal. No presente ano pastoral vamos dar continuidade a esta dinâmica, envolvendo a comunidade na reflexão e partilha sobre como ir implementando aquele documento. A Assembleia Paroquial, a 30 de Novembro, será um momento forte nesta caminhada. Assim nos queremos cumprir como comunidade a crescer, sinodalmente.

No ano pastoral passado, continuámos as obras de restauro dos Templos e algumas estátuas religiosas, em Alvor, incluindo o morabito de S. João, Montes de Alvor e Penina. Oportunamente, publicámos, no nosso “site”, uma reportagem fotográfica sobre a operação de restauro. Devolvendo beleza aos espaços e às imagens, temos aí uma expressiva parábola de uma comunidade que se quer cumprir pela via da beleza, como caminho de encontro entre o humano e o divino.

Passado o Verão, eis-nos retomando o curso normal do ano, o que acontece em todas as atividades, particularmente académicas. Também na ação pastoral da Paróquia, ao serviço das pessoas residentes em Alvor, sejam elas portuguesas sejam de outras nacionalidades, de modo particular as de língua inglesa.

Outubro tem tónica mariana e missionária. Diz-se mês do Rosário e mês das Missões. Oportunidades para valorizarmos os momentos de oração, especialmente do terço do rosário, individual, familiar e comunitário. E ainda para tomarmos consciência de que todos somos discípulos missionários, pelo que nos devemos sentir empenhados na missão da Igreja, que é a de «levar Jesus a todos e todos a Jesus».

Novembro é o mês da experiência de uma grande iniciativa: a ASSEMBLEIA PAROQUIAL. Seremos capazes de levar por diante este projeto de significativo alcance pastoral? Novembro é também o mês da saudade. O cair da folha, no outono, convida-nos à memória agradecida para com todos aqueles que nos precederam no encontro com Deus, quando Ele nos acolhe para a Novidade total, de um Paraíso oferecido a todos aqueles que quiseram viver como filhos. Rezar pelos defuntos exprime comunhão de santos, união da Igreja militante, a que peregrina no espaço e no tempo, com a Igreja padecente e a Igreja triunfante, aqueles irmãos e irmãs que vivem na eterna morada de Deus. Celebrar e sufragar os que partiram ajuda-nos a valorizar a vida e a tudo fazer para que ela seja «vida em abundância», conforme o desejo de Jesus.

Por fim, Dezembro torna-se caminhada especial para o Natal, marcada pelo tempo da espera – um tempo de Advento, uma Novena de Natal e, por fim, a contemplação do Deus feito criança, um de nós, abraçando a nossa Humanidade para nos levar com Ele para o Céu. O Deus verdadeiro encarnou, tornou-Se um de nós, para que nós nos tornássemos divinos.

Que todos e todas se sintam convidados a participar nas iniciativas da Comunidade da Paróquia de Alvor. A celebrar connosco a eucaristia dominical. O nosso acontecer será sempre anunciado e partilhado.

Até breve!

Pe. Abílio Cardoso

 

 

Sabia Que …

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Os primeiros documentos que nos falam da data do Natal a 25 de Dezembro são do ano 336,em que se regista a celebração natalícia em Roma, pois não foi fácil fixar a data…

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Natal, o anjo e Maria

Natal, o anjo e Maria

É das cenas do evangelho mais meditadas na história da espiritualidade e mais representadas pelas artes. É chamada “Anunciação do anjo a Maria”…

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Missas

Alvor – Montes de Alvor – Penina

Sábado

16h00 – Alvor
17h30 – Montes de Alvor
19h00 – Alvor (em inglês)

Domingo

10h00 – Alvor
12h00 – Penina

Quarta-Feira

19h00 – Montes de Alvor

Quinta-Feira

19h00 – Alvor

Sexta-Feira

19h00 – Alvor

Atendimento para casamentos e batismos

Todas as questões processuais relativas a casamentos e batizados, da paróquia de Alvor, são tratadas presencialmente na SECRETARIA PAROQUIAL, em Alvor, no seguinte horário:

Quintas-feiras entre as 15h30 e as 17h30

 

Consulte AQUI a página da Liturgia para conhecer as normas para admissão ao batismo.

 

As celebrações de batismo serão aos Domingos dentro da Eucaristia Dominical.

Os casamentos serão celebrados aos Sábados de manhã.