Bispos Alemães Pedem Ao Vaticano Que Os Leigos Possam Fazer Homilias
Os bispos católicos alemães deram luz verde ao prosseguimento do processo sinodal e decidiram solicitar ao Vaticano permissão para que leigas e leigos possam fazer homilias e pregar, segundo anunciou o bispo Heiner Wilmer – já na função de presidente eleito da Conferência Episcopal (CEA) – esta Quinta-feira, 26 de Fevereiro, no final da assembleia plenária de primavera daquele organismo.
A possibilidade de mulheres e homens leigos fazerem a homilia nas celebrações eucarísticas é uma das medidas que integram as diretrizes para o “ministério da pregação”, aprovadas na assembleia, que ficam agora dependentes da aceitação de Roma.
O novo presidente da CEA disse, a propósito, que tem já uma deslocação prevista ao Vaticano, durante a qual apresentará e explicará os resultados das decisões do episcopado, nomeadamente estas diretrizes do ministério da pregação.
De acordo com esse documento, os leigos admitidos ao exercício ministerial terão de ter qualificações para tal e ser investidos nessa missão pela autoridade eclesiástica. A medida consta das decisões do Caminho Sinodal.
O bispo Heiner declarou que a CEA adotou os estatutos da Conferência Sinodal aprovada no seguimento do processo sinodal no país, acrescentando que o próximo passo será o necessário reconhecimento desse texto, ao mais alto nível.
O prelado considera a participação anunciada do cardeal Mario Grech, responsável do Secretariado Geral do Sínodo do Vaticano, no Congresso Católico em Würzburg, em Maio, “um forte indício de como a sinodalidade ao nível global pode ser conectada com o nível local”.
O presidente da CEA ressaltou, no comunicado final, que “o desenvolvimento da Igreja não se resume a preservar uma estrutura, mas a tornar a mensagem do Evangelho frutífera na vida das pessoas”. Para tal considera necessário “o diálogo – dentro da Igreja e com a sociedade”, em colaboração com todos os envolvidos.
“NÓS SOMOS IGREJA”: sinodalidade “não deve ser mera fachada”
O movimento “Nós Somos Igreja” anota que “ os bispos na Alemanha são chamados a implementar reformas concretas a curto prazo, sem as quais, como afirma o documento final do Sínodo Mundial (nº 94), ‘a visão de uma Igreja sinodal não será credível’”.
Lembrando o roteiro para o Sínodo Mundial, até ao final de 2027, traduzido em “reformas visíveis em todas as igrejas locais”, o “Nós Somos Igreja” considera que “ainda há muito a ser feito em todas as dioceses” da Alemanha, nomeadamente nas matérias em que o Caminho Sinodal deixou já caminho aberto: novos ministérios, o lugar das mulheres, o combate à violência sexual. “A sinodalidade não deve ser mera fachada, antes deve viabilizar uma verdadeira corresponsabilidade e o compartilhamento do poder de decisão”, diz ainda.
Fonte: 7MARGENS