Mensagem V aos paroquianos

O encontro com a senhora Presidente da Câmara de Portimão, Dr.ª Isilda Gomes, agendado a meu pedido, revelou-me uma faceta deste Algarve, que vou conhecendo a pouco e pouco, não tanto ainda na sua geografia, mas mais no contacto com as pessoas. Livre de preconceitos e sempre aberto às surpresas, dei-me conta de uma sadia colaboração entre as autonomias religiosa e civil, sem as desconfianças ou preconceitos que se vêem por outros lados, nestes tempos de laicismo abusivo, sempre de pé atrás diante do fenómeno religioso.

Como seria bem diferente o tecido social português se livre de preconceitos no mundo da «nobre arte da política»! Se os valores evangélicos, que deram a fisionomia à «Terra de Santa Maria» que somos – somos mesmo ou fomos apenas? – não fossem ignorados mas, antes, reconhecidos como fonte de harmonia e de relações fraternas a darem alma ao desenvolvimento humano de todos! Como precisa a sociedade portuguesa de católicos na política, interventivos e sem vergonha da fé que professam!

Foi este encontro apenas a confirmação do que tinha já ouvido nas conversas com o bispo e outros colegas sacerdotes: o património cultural e religioso merece uma atenção cuidada por parte dos autarcas algarvios. E não apenas pelas convicções religiosas, conhecidas publicamente aliás, dos que detêm o poder autárquico, ao menos em Portimão, mas como orientação geral para os serviços da autarquia, que assumem a ajuda permanente aos diversos intervenientes na sociedade civil.

Era para ser uma simples apresentação de cumprimentos, agradecendo a presença na tomada de posse. Acabou por ser uma conversa muito útil e enriquecedora para mim, ao permitir-me conhecer um pouco dos procedimentos já habituais nesta «parceria» permanente da autarquia com as instituições que dão expressão ao tecido social comunitário. Claro que já tinha referências prévias que me permitiram o àvontade de referir algumas obras em curso necessárias para as comunidades que sirvo.

Esta «estrada aberta» na colaboração com o poder local já a tinha apreciado quando visitei a Junta de Freguesia de Alvor e conversei com o seu presidente Ivo Carvalho – também ele esteve presente na tomada de posse – e com os funcionários. E a verdade é que, neste «conhecer os cantos à casa», muitos dos colaboradores da Paróquia estão ligados quer à Câmara Municipal, quer à Junta de Freguesia. Dou graças a Deus.

Longe estava eu, melhor dito, longe estou eu daquilo que, há anos atrás, ouvi a um autarca recentemente eleito: o seu habitual afastamento da Igreja e da Paróquia ganhava uma razão maior, a de ser igual para todos, «obrigando-o» a mostrar-se não religioso. O ridículo tem destas coisas…

18/11/2023

P. Abílio Cardoso

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