A Igreja em Portugal está a atravessar uma dura prova que a ninguém deixa de fora. Bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos fazemos todos parte de um corpo ferido, com necessidade de cura. Precisamos de afirmar a nossa incondicional solidariedade com as ví­timas de abusos que deram voz ao silêncio, sem deixar os agressores entregues a si próprios, sem enquadramento terapêutico e disciplinar. Atravessamos, paradoxal e existencialmente, o mistério da santidade da Igreja juntamente com o mistério da iniquidade. Percebemos que o trigo e o joio estão juntos, as suas raízes cruzam-se dentro do corpo eclesial e de nós próprios.

Porque a oração é a fonte de toda a acção, precisamos de dizer (gritar) a nossa revolta, a nossa perplexidade e a nossa indignação perante (e a) Deus, em comunidade, deixando que o seu Espí­rito venha em socorro da nossa fraqueza pois não sabemos o que pedir (cf. Rm 8,26-27). Precisamos de gritar a dor e a raiva que vai em nosso coração, sabendo e confiando que «Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas» (1 Jo 3,20).

As comunidades paroquiais deveriam estar disponíveis para um tempo de oração.

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