TUTI FRATELLI (“Todos irmãos”), de 4/10/2020.

Um grito brutal pela amizade, a amabilidade e a colaboração mútua

Este documento é considerado como uma síntese do pensamento do Papa acerca da fraternidade e da amizade social. Estamos provavelmente perante o testamento político-social do papa Francisco.

É uma sistematização do pensamento político e social do Papa, no qual cabe um diagnóstico vasto sobre a situação no mundo, no que diz respeito a problemas a que ele tem dedicado muitas das suas intervenções: migrantes e refugiados, populismos, racismo, novas escravaturas, tráfico de seres humanos, violência sobre mulheres e crianças, pena de morte e drama ecológico.

A proposta é que a fraternidade e a amizade social sejam entendidas como o respeito pelos direitos humanos, a busca incessante da paz, a proposta da amabilidade, a valorização da função social da propriedade ou o perdão. E faz sugestões concretas como a da eliminação da pena de morte no mundo, a constituição de um fundo contra a fome financiada pelas despesas militares, o fim das armas nucleares e da prisão perpétua, a reforma “quer da ONU quer da arquitetura económica e financeira internacional, para que seja possível uma real concretização do conceito de família de nações.”

É a parábola do bom samaritano que serve de fundamentação espiritual para este tema.

Este documento é um grito brutal e, ao mesmo tempo, a expressão de um poder mobilizador como nenhum outro documento do Papa Francisco.

Eis algumas linhas de orientação de leitura:

– A fraternidade humana como único caminho para o desenvolvimento integral e a paz.

– O homem ferido, excluído, nas margens, como a opção de todos os projetos económicos, políticos, sociais e religiosos.

– O trabalho como a grande questão que garante o bem do povo.

– Perdoar, mas não esquecer: a Shoah, os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui são exemplos.

– A violência não tem fundamento na religião.

Em nome de Deus, declara-se a cultura do diálogo e a colaboração mútua como caminho.

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